A solução para os problemas do mundo de hoje

Paço faroNum mundo que tem sofrido com “formas de colonização ideológica” materialistas,[1] conforme expressão do Papa Francisco, o homem esquece-se com facilidade dos princípios morais que devem reger a sua conduta, em nome de uma liberdade sem fronteiras e de um subjetivismo que passa a reger a sua ação e até mesmo a religiosidade. Conforme a Caritas in Veritate, “aquilo que nos precede e constitui — o Amor e a Verdade subsistentes — indica-nos o que é o bem e em que consiste a nossa felicidade” (n. 52). Porém, o mundo moderno parece desconhecer estes princípios que o antecedem, elevando o individuo e o corpo à altura de um ídolo, negando a primazia à alma ou mesmo a sua existência. Vários são os perigos em não reconhecer uma natureza humana ferida, tendente ao mal e a egoísmos de consequências nefastas: “Ignorar que o homem tem uma natureza ferida, inclinada para o mal, dá lugar a graves erros no domínio da educação, da política, da ação social e dos costumes” (CV n. 34).

Torna-se então mais difícil para o homem contemporâneo enfrentar as dificuldades e vicissitudes diárias – não só na sua vida em sociedade, como também na sua realização pessoal –, sem o reconhecimento de elementos morais que partem do Absoluto, desconsiderando o pecado original e relegando o seu fim último para uma hipótese desnecessária. São visíveis algumas das consequências mais funestas englobadas nesta mentalidade. Perante a supremacia do corpo sobre a alma e, analogamente, do temporal sobre o espiritual, caem os valores metafísicos e religiosos que sempre orientaram o homem na sua peregrinação terrena e verificam-se profundas e desastrosas mudanças na nossa sociedade. Desaparece a estabilidade matrimonial e coloca-se em causa a família indissolúvel e heterossexual como base fundamental da sociedade, a vida perde o seu sentido mais profundo e inalienável diante do aborto e da eutanásia, a bioética perde toda a sua validade em nome de um ilusório progresso humano que coloca os seus limites no realizável: é factível? Então faça-se…

Sem um fim último que é Deus, e o próximo constituído pela criação e no centro desta o homem na sua integralidade, ou seja, o homem todo (corpo e alma) e todos os homens, imagem e semelhança de Deus, a fragilidade das cambiantes conceções deixa o homem à deriva em Oceanos de filosofias morais ou amorais para acabar por se voltar para si mesmo, o aqui e o agora. O Papa Francisco destacou certa vez aquela pobreza que fere o nosso mundo e a mais perigosa das misérias, causa de todas as demais: “o afastamento de Deus, a presunção de fazer as coisas sem Ele. Esta é a miséria cega de considerar como objetivo da própria existência a riqueza material, a procura do poder e do prazer e de subjugar a vida do próximo à procura de tais objetivos”.[2] A solução encontra-se em Cristo. Conforme o Pontífice nessa mesma alocução, “é a presença do Senhor que assinala a diferença entre a liberdade do bem e a escravidão do mal, que poderá tornar-nos capaz de realizar de realizar boas obras e de trazer uma alegria íntima, capaz de irradiar-se até sobre aqueles que estão próximos de nós. A presença do Senhor alarga os horizontes, sana os pensamentos e as emoções e dá a força necessária para superar dificuldades e provas. Onde está o Senhor Jesus, há ressurreição, há vida, porque Ele é a Ressurreição e a Vida”.[3]

Pe. José Victorino de Andrade

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[1] Meeting com as famílias em Manila, 16 jan 2015. In http://www.vatican.va. “…others are caught up in materialism and lifestyles which are destructive of family life and the most basic demands of Christian morality. These are forms of ideological colonization” (tradução minha da expressão destacada).

[2] “[…] ante forme di povertà da cui purtroppo è ferito il nostro mondo; e rivelano la miseria più pericolosa, causa di tutte le altre: la lontananza da Dio, la presunzione di poter fare a meno di Lui. Questa è la miseria cieca di considerare scopo della propria esistenza la ricchezza materiale, la ricerca del potere e del piacere e di asservire la vita del prossimo al conseguimento di questi obiettivi” Discorso del Santo Padre Francesco ai membri dell’associazione Comunità Papa Giovanni XXIII, 20 dez. 2014. In: http://www.vatican.va (tradução minha).

[3] “Sì, amici, è la presenza del Signore che segna la differenza tra la libertà del bene e la schiavitù del male, che può metterci in grado di compiere opere buone e di trarne una gioia intima, capace di irradiarsi anche su quelli che ci stanno vicino. La presenza del Signore allarga gli orizzonti, risana i pensieri e le emozioni, ci dà la forza necessaria per superare difficoltà e prove. Là dove c’è il Signore Gesù, c’è risurrezione, c’è vita, perché Lui è la risurrezione e la vita”. Discorso del Santo Padre Francesco ai membri dell’associazione Comunità Papa Giovanni XXIII, 20 dez. 2014. In: http://www.vatican.va (tradução minha).

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