O cristianismo salvará as democracias?

BasileiaCerta vez ouvi um estudo interessante, relacionado com a História da Alemanha, que revelava como um povo na sua génese aguerrido, foi inundado após a primeira guerra mundial por uma onda de ideologias pacifistas, algo desequilibradas, no sentido de tornar um povo combativo numa florinha de cheiro. Ora, como um elástico esticado ao extremo, solto, acabaria por descambar rápida e ferozmente para o outro lado, para um militarismo exacerbado, que redundou numa conflagração mundial pior do que a primeira. Esse, é um dos grandes problemas dos extremismos. Como um pêndulo que ao longo da história das nações vai balançando, dá por vezes guinadas ideológicas radicais e populistas. E quanto mais puxamos o dispositivo para um dos extremos, tanto mais é provável que ele comece a sua oscilação no sentido oposto com uma força proporcional. O próprio fato de muitos extremismos ideológicos no poder reprimirem os seus adversários políticos revela a sua preocupação de que as coisas descambem. E eles sabem que as ideologias radicais necessitam coação às consciências e às liberdades proporcionais. Quando por qualquer forma de golpe ou perda de influência popular, provocados em geral pelos sofrimentos do povo e/ou excessivos escândalos políticos, os partidos no poder são substituídos pelos seus opositores, logo começa uma estratégia para demonizar os anteriores governantes e colocar as culpas da presente situação na anterior administração.  E assim vai a dita democracia. Cada vez menos responsável e democrática para se tornar cada vez mais ideológica.

Já lá vai o tempo dos belos, respeitosos e varonis debates para chegarmos à presente esculhambação. Bastaria ouvir ou ler um debate da semana passada, há 20 anos, e depois há 50 anos atrás. A diferença para os nossos dias é assustadora. Que falta de verve, de postura, de… chá. Não admira, a política tornou-se de um lado ofício de tubarões experientes, bacocos demagogos, ou dos mais recentes e obedientes idiotas úteis das lavagens cerebrais da presente cultura universitária esquerdista tão diversificada de cores (verde, vermelha ou arco-íris), mas tão similar no seu projeto globalizador. Jovens que tiveram falta de personalidade para deixarem-se doutrinar. Não é difícil perceber neles um olhar perturbador que revela a capacidade de ódio ao qual foram instigados relativamente aos opositores. Escavadas as trincheiras políticas, começa então uma guerra de slogans, manifestações, perversões, mentiras e acusações, onde o povo torna-se um joguete nas mãos de interesses, zumbis usados a favor de uma causa ou de outra, manipulados pelos atuais instrumentos da radicalização e pelos fazedores de opinião. Estas oscilações ideológicas demoram a estabilizar, retirando qualidade de vida a toda uma maioria e até mesmo a própria vida a esta ou aquela minoria. E isso é preocupante, pois uma posição ideologicamente acirrada não leva propriamente a uma harmonização das coisas, mas a uma instigada tomada de posições, cada vez mais violentas, com trocas de acusações e toscas palavras, sensacionalistas e barganhas. Vamo-nos então distanciado de uma democracia saudável para políticas de protagonistas tacanhos, ora a esquerda caviar, ora a direita presunçosa, pródigos em descarregar nos seus adversários a ira mediática da qual sabem muito bem beneficiar-se.

Tantos países têm ido de um extremo ao outro com uma facilidade assustadora. Cada um tenta colocar em prática o seu projeto político e ideológico de forma rápida antes que os outros lhe arrebatem o poder. Ora, isto está a desgastar o projeto democrático e sobretudo os povos que, ou radicalizam-se cada vez mais, ou começam a revelar um enorme desinteresse pela escolha dos protagonistas no governo das nações. Bastaria analisarmos a forma como a abstenção está a crescer assustadoramente nos países de sufrágio facultativo. Ambos, extremistas e desinteressados, são um perigo para a sociedade pós-moderna. Ora, a Doutrina Social da Igreja poderá ajudar-nos neste campo, em primeiro lugar pela sua herança anti-idolátrica deixada por Jesus, na qual o chefe da nação não é nem será jamais um deus, nem uma ideologia humana trará a salvação. Os cristãos estão chamados a participar ativamente na vida pública, sem omissão, a serem responsáveis pelas suas escolhas, a serem profetas que denunciam as injustiças, a rezarem pelos governantes. Dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus, o equilíbrio está no Cristianismo. Princípios morais firmes, que conduziram ao progresso social e civilizacional do Ocidente, dessacralização das autoridades e das ideologias, pois só Deus é Deus e só Ele tem Palavras de vida eterna, tendo os governantes um dia de prestar contas diante do Criador. Talvez o cristianismo tenha um papel fundamental para as atuais democracias ou soluções governatórias. Quanto mais o poder derivar para ideologias extremistas, tanto mais o homem aumenta a sua capacidade opressora. Sabemos que Jesus instituiu uma nova forma de governo, a do serviço, da humildade. O primeiro deve ser o último, servir a todos, não a si mesmo – ocupado por interesses e ao serviço de ideologias. Parece que as coisas ou voltam aos seus eixos, ou descambam para autoritarismos e populismos. E as democracias perecerão. E guerras virão…

One thought on “O cristianismo salvará as democracias?

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  1. Quem há-de salvar este mundo senão a Fé em Cristo? Qd não foi assim?
    Perseguições, directas e indirectas, difamações, estou a recordar-me do “Quo Vadis?”, que vale a pena reler para recordar como desde o princípio o mundo tudo foi hostil ao amor de Cristo.

    Porém, os cristãos têm de se mostrar menos pacíficos e mais activos, a sociedade conta com o exemplo deles.

    E rezarmos mais, como diz o ditado – são poucos os que rezam e os que rezam, rezam pouco.
    Se Deus está connosco quem poderá estar preocupado? Não tenhamos medo…

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